Das criaturas que assombraram minha infância

14:55:00


Quando criança, alguns fatos curiosos me chamavam a atenção e muitas vezes me deixavam extremamente com muito, mas muito medo.

Eu tinha medo de dormir sozinha. Dormia eu e minha irmã no mesmo quarto, eram duas camas separadas. Porém, cansada de ter que todos os dias juntar as duas camas (tamanho era meu medo de dormir longe da minha irmã), minha mãe resolveu colocar-nos no quarto de visitas, onde havia uma cama de casal. E mesmo assim, vez ou outra ainda pedia abrigo na ponta da cama dos meus pais. Ali, no quarto de casal, eu e minha irmã dormíamos às 8hs da noite com o rádio de cabeceira ligado, ouvindo a Turma da Maré Mansa na Rádio Globo. Pra quem não sabe o que é isso, era uma versão rádio da Praça é Nossa. Já estou fugindo do tema da postagem, né! Mas é que lembrei desse fato e não podia deixar de mencionar. Só um trechinho, caso você tenha curiosidade:



Mas voltando aos medos: Eu só tomava banho de porta aberta! E antes de entrar verificava o box e o cesto de vinil se havia algo ou alguém lá dentro.

Outros fatores me tiravam o sono: Minha casa era cheia de quadros e alguns deles me assustavam. Lembro que no meu quarto haviam duas réplicas de pinturas de Giovanni Bragolin, que posteriormente vim a estudar e conhecer. Bragolin é famoso por pintar rostos de meninas e meninos chorando. E na década de 80 a historia de que os quadros eram amaldiçoados chegou até mim. Fiz minha mãe sumir com essas imagens.



Eu tinha uma boneca chamada Bilú Bilú que era meu xodó. Até que certa noite ouvi o som da sua risada do outro lado da casa. Lógico que hoje eu sei que poderia ter sido um mal contato da pilha, mas na época não podia ficar no mesmo quarto que a boneca. Só não me desfiz dela devido ao medo de minha mãe não querer me dar mais brinquedos.


E foi isso que aconteceu quando eu encasquetei que minha mãe tinha que abrir meu boneco Fofão, pois havia uma espada amaldiçoada dentro dele. E o que havia mesmo era um suporte plástico para encaixe da cabeça do boneco. Lá se foi o meu boneco Fofão e meus desejos por novos brinquedos...


Havia ainda uma pirâmide que enfeitava a sala. Ouvi dizer que pirâmides traziam azar. Quebrei a pirâmide em pedacinhos e joguei os cacos na linha de trem. E até hoje mamãe não sabe aonde o objeto foi parar. 


Tenis Nike era maldição. Boneca da Xuxa arranhava e assassinava crianças. Caneta Bic e blusas Fido Dido eram demoníacos. 





Na adolescência comecei a me controlar mais. Minha irmã saiu de casa muito cedo e com isso tive que lidar com sua ausência. E meu quarto antes infantil se tornou um pouco mais, digamos, amadurecido. Já encostava a porta do banheiro pra tomar banho. A tv era meu apoio luminoso noturno.  Mas se alguém na cidade morria, eu me abrigava no quarto dos meus pais com meu colchão embaixo do braço. Outras vezes, eu carregava minha melhor amiga pra dormir comigo. E isso durava uns 4 dias até meu medo pelo defunto diminuir.
Pois é... meu medo era de gente morta, fantasmas e coisas do além.

Eu tinha medo do Cazuza, de Lauro Corona e de Freddie Mercury. Morreram vítimas de Aids. Aids? essa palavra doía em meus ouvidos.



 
Eu tinha medo de Daniela Perez. Porque essa mesma amiga que dormia comigo, me colocava medo dizendo que, por ter o mesmo nome que o meu, ela viria puxar minha perna. Eu não podia ouvir Wishing on a Star, que era tema da personagem da Daniela na novela De Corpo e Alma. 




Lógico que essas lendas urbanas da década de 80 não me abalam mais. Me tornei fã de Cazuza e Fredd Mercury. Adoro ouvir Wishing on a Star. E, sim, sinto falta do Fofão. Queria ter podido mostrá-lo às minhas filhas.

Mas ainda não gosto de dormir sozinha. E a tv ainda serve de abajur no meio da noite.

E você, teve alguma criatura que assombrou a sua infância? 






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